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capítulo I

Feche acima do campo de milho

Breve panorama da economia são-borjense

Fundada em 1682 pelos padres jesuítas, São Borja é a primeira cidade dos Sete Povos das Missões, constituindo uma das civilizações mais antigas do Estado e do Brasil. Segundo o portal Cidades do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), atualizado em 2017, o município implementou há muitos anos a produção de arroz da região Sul e, historicamente, tem a sua economia fortemente baseada na agropecuária. 

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Fonte: Portal das Missões

Conforme o economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, Oscar Frank, o peso da agropecuária no PIB (Produto Interno Bruto) de São Borja, sem considerar os desdobramentos em outros setores, como indústria e serviços, alcançou 17,8% em 2019, bem acima da média do Rio Grande do Sul, de 8,6%. Naturalmente, o município, em 2022, está sofrendo os impactos da recessão da safra de grãos, mesmo que o principal produto do campo na cidade, que é o arroz, seja o menos prejudicado. Enquanto a soja e o milho são produtos que foram fortemente afetados, conforme o economista. Esses são dados preocupantes para as famílias que têm a renda dependente desse setor, contudo, seria ainda mais alarmante se a economia de São Borja dependesse exclusivamente da agropecuária, como já ocorreu em tempos remotos.

No entanto, hoje o PIB da cidade divide a sua base econômica com uma variada gama comercial e com instituições federais de ensino que contribuem com a movimentação de pessoas na cidade e que, por consequência, interferem na economia local, pois se estabelecem e consomem no município. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que foi introduzida na cidade em 2006, é um exemplo de instituição que alavancou substancialmente o desenvolvimento econômico de São Borja, segundo estudo feito em 2015 pelo economista Nilson Levi Zalewski de Souza. Economicamente, a presença da Universidade fica evidente no potencial de aumento comercial da cidade, visto que, segundo dados do IBGE, até fevereiro de 2022 houve registro de 22 novas empresas em São Borja, sendo que a maioria delas atua com estabelecimento fixo. Já no ano de 2021 inteiro, foram registradas 168 empresas e em março de 2022, 8 novas empresas se instalaram.

Quando a Unipampa foi implantada na cidade, o PIB de São Borja, conforme o IBGE, totalizava R$ 602.753.000,00. Quatro anos depois, em 2010, o PIB cresceu 69,27%, somando R$ 1.020.280,003,10 bilhão de reais. De acordo com o último levantamento da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE), em 2018, o PIB de São Borja era de R$ 1.905.563,52, o que representa um salto de 315% em apenas 12 anos. Os dados revelam que houve um impulsionador na economia de São Borja, que pode ser justificado pelo polo educacional que se formou com a implantação não apenas da Unipampa, como também da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), em 2005 no município, e do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) campus São Borja, fundado no início de 2010 na cidade. Há também um fluxo gerado pela Faculdade de Medicina na Fundación Barceló, que está situada há mais de 40 anos na cidade argentina de Santo Tomé e que faz fronteira com o município, garantindo a movimentação de estudantes que moram e consomem em São Borja, mas estudam no país vizinho.

Fonte: IBGE

O efeito provocado pela implantação das instituições de ensino superior, principalmente da Unipampa, em São Borja, é reforçado pelo estudo do economista Nilson Levi Zalewski de Souza, que em 2015 escreveu um artigo sobre o campus São Borja ter afetado diretamente importantes setores econômicos da Terra dos Presidentes. O economista, analisando como a cidade de Santa Maria expandiu depois da implantação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no município, se interessou em avaliar São Borja por se encaixar no eixo de uma cidade menos populosa. Conforme Souza, quando uma cidade tem concentração de produção de renda em apenas um setor, como era o caso de São Borja - que concentrava a sua renda única e exclusivamente no setor agrícola -, isso produz uma instabilidade para novos negócios de diferentes nichos de venda e consumo se estabelecerem na cidade.

Contudo, quando a Unipampa foi implantada no município, em 2006, trouxe com ela uma nova fonte de distribuição de renda. Dessa forma, foi possível alavancar substancialmente o desenvolvimento econômico do local, visto que, através da movimentação causada pela Universidade com, atualmente, mais de 1600 alunos matriculados no campus - sendo que 62% desses alunos estudam presencialmente na instituição -, há menos risco de um empreendimento comercial não ter consumidores efetivos.

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A Secretaria de Fazenda de São Borja disponibilizou os balanços da economia da cidade, podendo perceber que apesar das análises serem dos anos afetados pela pandemia de Covid-19, apenas no que diz respeito ao IPTU, em 2020 não foi alcançado o previsto para o ano. Já nas demais impostos os valores arrecadados ao ano foram satisfatórios para os cofres públicos. 

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