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Foto: Portal das Missões

Expectativas para 2022

 

 

O crescimento da economia brasileira em 2022, conforme o economista Oscar Frank, é provável contar com mais surpresas negativas do que positivas. O Brasil tem um cenário marcado por uma inflação pressionada por: juros elevados, dificuldade de acesso a insumos e suprimentos - a partir da quebra das cadeias produtivas -, a guerra Rússia e Ucrânia, juntamente com o processo de aumento de taxa de juros nos Estados Unidos, são acontecimentos que devem ser observados atentamente porque influenciam diretamente na economia brasileira.

No que diz respeito a São Borja, sem excluí-la de um recorte nacional, mas atentando para os movimentos econômicos que estão acontecendo na cidade, é emergente o crescimento e são muitos os fatores que o impulsionam. Conforme a perspectiva do consultor empresarial e proprietário da franquia Calzoon em São Borja, José Pecci, a cidade mudou muito quando o Instituto Federal Farroupilha (IFFar) e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) foram implantadas no município. A matriz econômica que antes dependia muito da agricultura, hoje já não depende única e exclusivamente, e tem um polo educacional bastante forte, que atua ativamente nos ganhos econômicos da cidade, o que fomenta novas culturas e faz com que se crie maneiras de pensar, de agir e até de empreender diferentes que não se tinha antes.

 

Para o ano de 2022, as expectativas dos comerciantes de São Borja são positivas e, segundo o economista Oscar Frank, a economia brasileira conseguiu apresentar uma recuperação relativamente rápida após as restrições mais duras aplicadas para tentar frear a Covid-19. O dono de uma empresa de brinquedos infláveis e de um carro de churros, Zilomar Sisti, é um dos comerciantes que percebe o movimento melhorar aos poucos e enxerga os negócios mais equilibrados. “Está melhor. Nos brinquedos mesmo, este final de semana que passou, nós tínhamos sete lugares, aniversários, eventos. Então, deu uma melhorada. Os churros estão recomeçando, agora que está esfriando mesmo, porque o churros no verão não joga… Muito pouco, porque é fritura e doce”, destaca. O pequeno empreendedor também salienta que com o retorno do fluxo dos estudantes na cidade, as vendas tendem a melhorar bastante. 

 

Outro empreendedor que se mantém confiante e otimista com o retorno dos estudantes para a cidade é o dono da Papelaria Graffiti, Algacir Bertuol. “Acredito que o movimento melhore mais, porque com a volta às aulas dos colégios estaduais já melhorou e agora com a volta da universidade melhora mais ainda. A universidade da Argentina também começou, e já deu uma melhorada”, comenta. 

 

A gerente da franquia Keith Biju em São Borja, Gabrieli Soares, também prevê um aumento no movimento das vendas a partir do mês de abril, por conta das datas comemorativas que começam a acontecer neste período, como a Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados e assim por diante. A lojista avalia que investir em São Borja é promissor e que com a volta da movimentação universitária na cidade, principalmente o público feminino, passa a ser alvo de suas intenções de venda, já que a Keith Biju é uma loja especializada em maquiagens e acessórios femininos. 

 

O setor que até o momento mais apresentou movimento com a volta dos estudantes para as atividades presenciais foi o imobiliário. O corretor de imóveis, Aparício Neto, comenta que a empresa está confiante nos lucros para 2022, desde que a volta dos universitários para a cidade começou e houve uma enorme procura por imóveis e muitos contratos firmados. “Imaginávamos que esse seria o momento em que daria um “boom”, mas não imaginávamos que seria tanto. A gente está num momento com falta de produto porque está tendo procura ainda e eu estou com a mesa cheia de contratos pra fazer… Eu sempre digo: é um privilégio investir em São Borja, [com] uma instituição como a Unipampa e o Instituto Federal Farroupilha [na cidade], porque envolve alunos, administradores, servidores, professores que compram e alugam imóveis, são fundamentais no setor imobiliário”, destaca Aparício. 

A assessora de locação da Imobiliária Ícaro, Marília Belmonte Viana, também enfatiza que os universitários são inquilinos bastante valorizados pela empresa pois movimentam a economia da cidade ano após ano e que para 2022 a empresa se preparou para a alta demanda de estudantes que têm chegado à cidade. Conforme a assessora de locação “a estimativa de aluguéis para estudantes em 2022 foi superada por nós. Há cerca de dois, três meses atrás nós tínhamos quase cem apartamentos no site, e hoje se tu olhar nós temos doze imóveis, dez imóveis, quando muito”.

Ainda dentro do segmento imobiliário, os locadores de imóveis para estudantes de forma direta, também preveem uma movimentação positiva no cenário para 2022. “Toda a parte comercial lucra com essa volta da Unipampa e a gente que trabalha com locação, está sempre tentando melhorar para que os alunos se sintam recepcionados da forma que merecem, porque a Unipampa realmente movimenta muito São Borja, dá um up pra gente, [por]que nós estávamos precisando”, comenta a jornalista e locadora de imóveis para estudantes em São Borja, Bernadete Fortes.

 

Em se tratando do que podemos esperar para 2022, segundo dados do Boletim da Conjuntura do Rio Grande do Sul, divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) que saiu em janeiro deste ano, o crescimento da economia do Estado até outubro de 2021 foi de 12,2%, sinalizando uma recuperação maior que a do Brasil, com 5,7% no mesmo período. Quanto aos sinais para uma melhora no desempenho da economia para os próximos meses, as perspectivas do Governo do Estado seguem cercadas de incertezas, pois a estiagem provocada pelo fenômeno La Niña, o recrudescimento da pandemia, os juros elevados no cenário macroeconômico nacional e a inflação em alta são fatores que colaboram para o quadro de indefinição, mesmo para a emergente economia de São Borja.

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